Escrito e dirigido por LeoMon
Produção de Alice Lira

DADOS TÉCNICOS | DURAÇÃO: 128 MINUTOS | FORMATO: 1.78:1 (16:9) | SOM 2.0/5.1 | PAÍS: BRASIL | IDIOMA: PORTUGUÊS | LEGENDAS DISPONÍVEIS: INGLÊS, ESPANHOL E MANDARIM | ACESSIBILIDADE: JANELA DE LIBRAS, AUDIODESCRIÇÃO E LEGENDAS PARA SURDOS E ENSURDECIDOS (LSE) | ANO: 2026 | GÊNERO: DOCUMENTÁRIO | CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: LIVRE

Misturando depoimentos reais e alegorias visuais, o filme narra a saga da brincadeira de Mamulengo e revela a sentença que une seus mestres, suas mestras e brincantes: o mamulengo não é uma arte que se escolhe, é um destino do qual não se pode escapar.

Do Cerrado do Planalto Central à Zona da Mata Pernambucana, o filme segue o movimento circular da tradição. Entre mestres, mestras e brincantes, a brincadeira atravessa séculos de resistência, criatividade e reinvenção. Um retrato íntimo de uma arte que sustenta vidas e modos de existir. Aqui, acompanhamos aqueles e aquelas que não se desfazem do mamulengo, e que talvez também não queiram, presos a ele por afeto, destino e sobrevivência.

 

“Minha relação com o Mamulengo começou quando eu vi pela primeira vez os bonecos e a brincadeira feita por Mestre Solon Alves de Mendonça no premiado curta de Pedro Jorge de Castro o ‘Brinquedo Popular do Nordeste- (1977)’.
O encantamento presencial começou em agosto de 2015, no Sarau Complexo, em Samambaia (DF). Fui a convite da poeta Lilia Diniz assistir ao Mamulengo Fuzuê e foi a primeira vez que vi a brincadeira ao vivo.

Lembro que, quando os bonecos subiram na tolda, as crianças gritavam e os adultos entraram em um fluxo de risos mágico. Ali, parecia que o boneco tinha vida própria, fazendo por vezes esquecer que havia uma pessoa “manipulando” aqueles bonecos. Voltei para casa de ônibus pensando: como aqueles bonecos fizeram aquelas pessoas saírem de si? Dias depois, a ideia do filme nasceu.

O processo, no entanto, foi atravessado pelo tempo. O roteiro original de 2015 teve que ser reescrito após a pandemia, que levou mestres fundamentais como Zé de Vina, Zé Lopes e Saúba. O filme tornou-se, então, um registro de urgência: honrar quem partiu e visibilizar mestres, mestras e brincantes que ainda fazem essa cultura viva, em especial vozes femininas que hoje trazem novas narrativas para a brincadeira. Guiado pela música – onde cocos e toadas funcionam como mantras e fio condutor da montagem – ‘A Maldição do Mamulengo’ é a minha tentativa de responder àquela dúvida que tive no ônibus: a de que o encanto desta arte é, de fato, irreversível.”